A juíza Maria das Graças Gomes da Costa foi afastada da Vara Especializada da Infância e Juventude de Rondonópolis (MT) por suspeita de favorecer o próprio marido, Antenor Alberto de Matos Salomão, acusado de matar a bancária Leidiane Sousa Lima, de 34 anos, em 2023. O afastamento cautelar, determinado no dia 23 de dezembro, é válido por 90 dias.
Ao g1, o advogado de defesa da juíza, Thiago Ranniere, afirmou que o afastamento cautelar de Maria das Graças não tem relação com investigação criminal e não envolve fatos em investigação atribuídos ao marido e que a decisão causou estranheza à defesa.
“Não recai sobre a magistrada qualquer modalidade de investigação criminal, em qualquer instância. Causa estranheza absurda a deturpação do procedimento administrativo e da real verdade dos fatos”, diz em trecho da nota.
O afastamento de Maria das Graças foi cumprido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso após o Ministério Público do Estado encaminhar, no dia 19 de dezembro, uma reclamação disciplinar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apontando interferência da magistrada em ações envolvendo a guarda da filha da vítima do feminicídio atribuído ao marido dela.
O CNJ informou que o caso está em análise pela Corregedoria. O processo está em sigilo.
Conforme a reclamação, por trabalhar na Vara Especializada da Infância e Juventude da cidade onde o o crime ocorreu, a juíza tentou dificultar o cumprimento de uma decisão judicial que concedeu a guarda da filha de Leidiane à avó materna. A magistrada, no entanto, teria levado a criança para outro local para impedir o cumprimento da medida.
À época do feminicídio, a Polícia Civil informou que Antenor e Leidiane estavam em uma briga judicial em relação à guarda da filha, de 2 anos. Mas o crime teria sido motivo pelo acusado ainda ter um sentimento amoroso pela vítima, que não foi correspondido.
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