A situação da Usina Hidrelétrica de Colíder (MT), localizada no Rio Teles Pires, em Itaúba, a 599 km de Cuiabá, saiu do estado de "alerta" para o de "atenção" nesse sábado (21), de acordo com comunicado divulgado pela empresa proprietária Axia Energia, ex-Eletrobras. Com isso, a expectativa é que ocorra o reenchimento do reservatório a partir desta segunda-feira (23).
Essa medida faz parte de um conjunto de ações que a usina vem implementando desde que o Ministério Público do estado (MP-MT) apontou inúmeras falhas estruturais no sistema de drenagem. O MP chegou a recomendar a desativação da barragem, caso não tenha outra alternativa.
O reservatório deve ser reenchido com limite de 25 centímetros por dia, segundo a empresa, seguindo um fluxo gradual e controlado para priorizar a segurança dos moradores da região, do meio ambiente e do empreendimento.
"O processo inclui monitoramento permanente da qualidade da água e da fauna aquática e terrestre, além de comunicação com as comunidades locais", disse a Axia, em nota.
A empresa orientou ainda que a população local acompanhe os comunicados oficiais para seguir os cuidados do período chuvoso, e alerta para que os barcos, flutuantes e materiais próximos ao rio sejam guardados ou amarrados de forma adequada.
Em janeiro, duas sirenes foram acionadas de forma indevida na usina, o que assustou os moradores que saíram das casas. Após o acionamento, a companhia disse que abriu apuração para esclarecer o ocorrido e descartou qualquer situação de perigo.
Em fato relevante divulgado ao mercado financeiro, a Axia informou que de 70 drenos que integram o sistema da usina, quatro sofreram danos desde a compra do ativo. Os drenos são estruturas que permitem que a pressão da água sob a barragem seja escoada de maneira adequada.
Com isso, a usina reduziu o nível do reservatório para verificar as falhas nos drenos e aliviar a pressão sobre a estrutura. Contudo, essa medida gerou danos ambientais, como a morte de 1.500 peixes, alteração da qualidade da água, comprometimento da biodiversidade aquática e semiaquática, e prejuízos à fauna migratória.
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